• Marina Camargo

Por que erro e fico com vergonha quando estou tocando para outras pessoas?





Essas são perguntas muito comuns entre meus alunos. Por isso, hoje resolvi tentar te ajudar com algumas dicas.


Primeiro, podemos pensar que um artista quando faz um show é 100% infalível, ou seja, não há nenhum erro, nenhum deslize e as músicas saem sempre perfeitas!

Bem, não é bem assim. Já vi grandes artistas errarem ao vivo em grandes shows. Pra citar um exemplo, estava eu assistindo um show do Edu Lobo, ele mesmo!, no Guairão, que é um grande teatro de Curitiba, quando em um momento do show começou uma música, e por algum motivo parou nos primeiros acordes. O Edu Lobo parou e pediu para os músicos recomeçarem a música. Eu nem percebi qual era o erro, mas ele sentiu que alguma coisa não estava certa e não teve dúvidas em parar e recomeçar.


Isso é só pra citar um exemplo. Essas coisas acontecem com muito mais frequência do que a gente imagina. Muitas vezes o músico erra um acorde, ou esbarra em uma nota, e nós, que estamos assistindo ao show, nem percebemos isso acontecer.

Então essa é a nossa primeira lição como músicos e musicistas:


Se errar, não pare a música, continue a tocar e se recupere do erro.


Por buscarmos a perfeição acabamos travando quando erramos. Nos sentimos envergonhados e não conseguimos sequer continuar a música. Isso não precisa acontecer, pois já vimos que o erro é muito mais comum do que pensamos e acaba fazendo parte do espetáculo.


Agora, se os erros são inevitáveis, podemos trabalhar para que eles sejam cada vez menos frequentes. Uma coisa que podemos fazer é: trabalhar os pontos críticos de cada música.

Quase todas as músicas que estudamos terão um ponto crítico, um lugar onde haverá uma frase, uma passagem de baixos, um ritmo mais complexo, alguma coisa que irá requerer a nossa atenção.

Ao estudarmos, devemos então identificar esse ponto na música e estudá-lo mais do que as outras partes. Devemos repetir o trecho lentamente e depois ir aumentado a velocidade até deixarmos esse trecho “fácil” e assim tocá-lo sem problemas.

Caso contrário, se não fizermos esse estudo focado no “problema”, sempre que chegarmos nesse lugar vamos “enroscar”, errar, ou até mesmo parar de tocar a música.


Outro fator importante na hora de tocarmos é a concentração. É muito importante estarmos concentrados quando vamos tocar. Isso fará com que lembremos dos movimentos da música, do ritmo das notas, do andamento que temos que começar. Todos os nossos sentidos devem estar focados na execução. Quando vamos tocar para um público, em uma apresentação, essa concentração é ainda mais importante. Pois, em uma apresentação, estaremos num ambiente diferente, a luz será diferente, pode haver barulho de pessoas falando, tudo isso pode tirar a nossa concentração e nos atrapalhar na hora de tocarmos.


E por que tenho vergonha de tocar para os outros?


Bem, aqui entra o fator psicológico. É normal termos vergonha ou receio de tocar para outras pessoas, pois tememos o julgamento delas: se estamos tocando bem, se estamos tocando músicas que essas pessoas gostam ou conhecem. É normal nos sentirmos desconfortáveis nessa situação. Ficamos nervosos e aí é que os erros aparecem.


Para resolver isso é somente com a prática de tocar para os outros.

O melhor começo é em casa. Se você mora com outras pessoas, experimente em algumas vezes estudar com a porta aberta do cômodo da casa em que você está. Assim, não será ainda uma apresentação, mas você já irá se acostumando com pessoas vendo você tocar.

Em algum momento você pode fazer uma pequena apresentação na sua casa. Aproveite o tempo depois de um almoço de domingo e monte seu primeiro show na sala de casa. Escolha músicas que você já toca há algum tempo e que tenha segurança. Pode ser um pocket show, um pequeno show de 3 a 4 músicas.


Se você quiser partir para uma próxima etapa, você pode chamar alguns amigos e montar um grupo musical. Outra coisa é fazer algum trabalho voluntário tocando em asilos, casas de recuperação, escolas, (tudo isso quando for possível e seguro!).

Esse tipo de apresentação é muito gratificante! Você vai ver que nessa hora o que importa é a sua presença e a emoção que a música leva, a execução perfeita não será a parte principal.


Espero que tenha te ajudado. Boa sorte nos seus estudos e bons shows!!!

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